História, memória e esquecimento: lembrar e esquecer a desigualdade de gênero vivenciada por Geminiana Bringel nas décadas de 1960 e 1970
DOI:
https://doi.org/10.51880/ho.v29i1.1585Keywords:
Memória, Esquecimento, GêneroAbstract
O presente artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa iniciada em 2016 dedicada a refletir sobre o lugar das mulheres na política por meio da trajetória da primeira vereadora e prefeita interina do município de Parintins Geminiana Campos Bulcão Bringel (Gemica). A vereadora teve uma atuação política que se estendeu de 1956, passando por 1964, até 1982, ou seja, perpassa pelo início e o fim da ditadura civil-militar do Brasil. Este artigo, em específi co, buscou analisar como as memórias sobre as desigualdades de gênero presentes na atuação na política da vereadora Gemica Bringel em Parintins são selecionadas pelos sujeitos, aqui analisados, para delimitar fronteiras de grupos políticos. Os sujeitos, ex-vereadores do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e cidadãos da sociedade parintinense, lembram das desigualdades que a vereadora sofreu nos espaços públicos e políticos em que atuou. Enquanto dois vereadores do partido Aliança Renovadora Nacional (Arena), contemporâneos do primeiro grupo em seus processos de construção de memórias, não possuem essa memória. Mostrando como o ato de lembrar ou de esquecer são delimitadores, fronteiras e espaços entre grupos que querem ou não fazer ou se sentir pertencentes. Entendemos que as memórias dos sujeitos sobre a desigualdade de gênero revelam o lugar imposto para as mulheres na arena política e as relações de poder ali presentes. Porém, neste trabalho, nos propomos olhar esses outros aspectos dessas mesmas memórias em si. Para tal análise, utilizamos a metodologia de construção e análise de fonte histórica oral para entendermos as narrativas desses sujeitos que conviveram e que possuem memórias sobre a atuação política da vereadora. A atuação da professora se mostra emblemática e extensa, possibilitando entendermos as relações políticas no ato de lembrar e esquecer, fazendo assim ampliar o nosso olhar para as memórias dos sujeitos.
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