Maternidade e ensino superior: o papel da universidade e as estratégias de permanência adotadas pelas estudantes- mães da Universidade de Brasília
DOI:
https://doi.org/10.51880/ho.v28i3.1545Palavras-chave:
História Oral, Maternidade, Ensino superior, PermanênciaResumo
As pesquisas na área da história que versam sobre permanência no ensino superior apontam que a responsabilidade com filhos pode contribuir para a conclusão tardia do curso ou para a evasão da universidade. Neste estudo, embasado por perspectivas teórico-metodológicas da História Oral, as narrativas nos conduzem aos discursos e às práticas que marcam as experiências das estudantes na trajetória no ensino superior com relação à função de cuidado, bem como as estratégias que possibilitam a conciliação da maternidade com o processo de formação. Foram realizadas entrevistas com estudantes-mães da Universidade de Brasília, sendo quatro beneficiárias do Programa Auxílio Creche (PACreche) e duas beneficiárias do Auxílio Creche Temporário (T-CRECHE). Além das narrativas, apresentamos dados sobre o rendimento acadêmico, perfil socioeconômico e principais formas de utilização do PACreche, contemplando todas as beneficiárias do programa. Os resultados indicam que a função de cuidado repete os padrões sexistas verificados ao longo da história e que as mulheres ainda são as principais responsáveis pela guarda e criação da criança.
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