“Era uma oposição sindical, né?”: memórias da militância da Pastoral Operária em Betim (década de 1980)

Autores

  • Lucas Carvalho Soares de Aguiar Pereira Instituto Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.51880/ho.v29i1.1563

Palavras-chave:

Pastoral Operária, Metamemória, História Oral, Enquadramentos da Memória

Resumo


Este texto ensaia uma hipótese sobre o problema da memória e dos sentidos do passado a partir da análise de documentos orais produzidos pelo Grupo de Pesquisa História Oral e Mundos do Trabalho do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). O acervo público em História Oral é um excelente laboratório de análises dos processos de signifi cação subjetiva de eventos históricos. Esta proposta investigativa busca entender o processo de construção de narrativas pessoais a partir de um evento-chave: a militância na Pastoral Operária em Betim (MG). O texto problematiza os sentidos atribuídos a esse passado recente, como a frustração, os ressentimentos, os aprendizados e as satisfações. Por fim, o artigo visa contribuir, a um só tempo, com a historiografi a sobre a região industrial de Betim e com os debates teóricos metodológicos da História Oral.

Biografia do Autor

Lucas Carvalho Soares de Aguiar Pereira, Instituto Federal de Minas Gerais

Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), docente do Instituto Federal de Minas Gerais.

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Publicado

2026-04-29

Como Citar

Carvalho Soares de Aguiar Pereira, L. (2026). “Era uma oposição sindical, né?”: memórias da militância da Pastoral Operária em Betim (década de 1980). História Oral, 29(1), 123–144. https://doi.org/10.51880/ho.v29i1.1563