Esta é uma versão desatualizada publicada em 2026-04-29. Leia a versão mais recente.

Tensões entre oralidade e escrita: considerações sobre história oral no Candomblé

Autores

  • Lucas Medeiros Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Guilherme Paiva de Carvalho Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Eliane Anselmo da Silva Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.51880/ho.v29i1.1645

Palavras-chave:

Candomblé, Oralidade, Escrita, História Oral

Resumo


O texto que segue resulta de reflexões que partem de pesquisas desenvolvidas em terreiros de Candomblé nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Mediante experiências de longa duração junto às comunidades de culto, apresentamos e discutimos as extensões e limites de uma crença comum e bastante reproduzida na bibliografia sobre essa religião, nos referimos ao exclusivismo da oralidade. Não negamos que o Candomblé produz seus saberes e os transmite majoritariamente através das narrativas orais, mas pretendemos compreender em que medida a escrita povoa esses espaços, em que momento ela é usada e quais suas aproximações e divergências com a prática da oralidade. Destacamos também a incorporação de textos escritos produzidos na academia e utilizados de alguma forma nos terreiros. Tais considerações aqui estruturam um texto ensaístico e propositivo que tem por objetivo elucidar questões pertinentes à prática da história oral nessa seara.

Biografia do Autor

Lucas Medeiros, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Doutor em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é bolsista da Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (FAPERN) no âmbito do Programa de fortalecimento da pesquisa na UERN e de redução de assimetrias no desenvolvimento científico e tecnológico regional no estado (Programa RN mais Científi co) e atua como bolsista de Pós- doutoramento junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PPGCISH/UERN).

Guilherme Paiva de Carvalho, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Pós-Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Évora (UÉvora). Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Filosofi a pela UnB. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Bolsista de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científi co e Tecnológico (CNPq) e Investigador Colaborador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da UÉvora.

Eliane Anselmo da Silva, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestre em Antropologia pela UFPE. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino (POSENSINO), diretora de Ações Afi rmativas e Diversidade (DIAAD), coordenadora do Núcleo de Estudos Afro- Brasileiros e Indígenas (NEABI) e líder do Grupo de Estudos Culturais (GRUESC) da UERN.

Referências

BARROS, José Flávio Pessoa de; NAPOLEÃO, Eduardo; Ewé òrìsà: uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jeje-nagô". 14º Ed. Rio de Janeiro Bertrand Brasil, 2025.

BRAGA, Júlio. Fuxico de candomblé: estudos afro-brasileiros. Feira de Santana: UEFS Editora, 2019.

CAPONE, Stefania. A busca da África no candomblé: tradição e poder no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2004

CASTILLO. Lisa. Entre a oralidade e a escrita: a etnografia nos candomblés da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2010.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 12 ed. São Paulo: EDUSP, 2006.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Beatriz. Sidou. 2ª ed. São Paulo: Centauro, 2013.

LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Tradução: Maria Lucia do Eirado Silva. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002.

LIGIÉRO, Zeca. Iniciação ao Candomblé. 9 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2023.

LIMA, Vivaldo da Costa. A Família de Santo nos Candomblés Jeje-Nagôs da Bahia: um estudo de relações intragrupais, Salvador: Corrupio, 2013.

LOPES, Nei. Novo dicionário banto no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

LOZANO, Jorge Eduardo Aceves. Prática e estilos de pesquisa na história oral contemporânea. In: FERREIRA, Marieta de Moraes; AMADO, Janaína (orgs.). Usos & abusos da História Oral. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. p. 15 25.

MEDEIROS, Lucas Gomes de. Enterreirando métodos e disciplinas: por uma historiografia das religiões de terreiro. Revista Brasileira de História das Religiões, v. 17, n. 49, p. 187 214, 8 abr. 2024.

MEIHY, José Carlos Sebe B; SEAWRIGHT, Leandro. Memórias e narrativas: história oral aplicada. São Paulo: Contexto, 2020.

NIETHAMMER, Lutz (org.). Lebenserfahrung und kollektives Gedächtnis. Die Praxis der “Oral History”. Frankfurt a.M., Syndikat, 1980.

PERROT, Michelle. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Tradução de Denise Bottmann. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

PRANDI, Reginaldo. Segredos guardados: orixás na alma brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

PRANDI, Reginaldo. De africano a afro-brasileiro: etnia, identidade, religião. Revista USP, São Paulo, Brasil, n. 46, p. 52–65, 2000a. Disponível em: https://revistas.usp.br/revusp/article/view/32879 . Acesso em: Acesso em: 2 out. 2025.

PRANDI, Reginaldo. Hipertrofia ritual das religiões afro-brasileiras. Novos Estudos – CEBRAP, São Paulo, n. 56, p. 77–88, mar. 2000b. Disponível em: https://www.centroafrobogota.com/attachments/article/38/hipertrofiadasreligioesafro.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

ROCHA, Agenor Miranda. Caminhos de Odu: os Odus do jogo de búzios, com seus caminhos, ebós, mitos e significados, conforme ensinamentos escritos por Agenor Mirada Rocha em 1928 e por ele mesmo revisto em 1998/ organização de Reginaldo Prandi; ilustrações de Pedro Rafael. Rio de Janeiro: Pallas, 1999.

RODRIGUES, Nina. O animismo fetichista dos negros baianos. 2. Ed. Salvador: P55 Edições, 2014.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Orixás da Metrópole. Petrópolis: Editora Vozes, 1995.

THOMPSON, Edward Palmer. A história vista de baixo. In: As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.

VALLADO, Armando. Lei do santo: poder e conflito no candomblé. Rio de Janeiro: Pallas, 2010.

VELHO, Yvonne Maggie Alves. Guerra de Orixá: um estudo de ritual e conflito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1ª ed., 2001.

VERGER, Pierre Fatumbi. Ewé: O uso das plantas na sociedade iorubá. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Downloads

Publicado

2026-04-29

Versões

Como Citar

Medeiros, L., Paiva de Carvalho, G. ., & Anselmo da Silva, E. . (2026). Tensões entre oralidade e escrita: considerações sobre história oral no Candomblé. História Oral, 29(1), 42–61. https://doi.org/10.51880/ho.v29i1.1645