O corpo em movimento: reflexões sobre identidade, oralidade e memória em terreiros de Umbanda
DOI:
https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1590Palavras-chave:
Manual de história oral, Oralidade, Religiões Afro-brasileiras, Candomblé, CulturaResumo
Este artigo nasce da pesquisa e escrita da dissertação “O nosso tempo é agora: as histórias, os saberes e as memórias nos terreiros de Umbanda de São Paulo” (2024) e das reflexões por ela instigadas em relação à tríade corpo – memória – oralidade. Nos encontros e desencontros dos saberes provocados pela diáspora africana, a memória dos conhecimentos e práticas foi transportada no corpo e na linguagem. Tais lembranças foram essenciais na reconstituição das identidades desses sujeitos e na construção da cultura nacional. Silenciadas nas narrativas oficiais, foram transmitidas em diferentes formas e espaços, e muito desse processo se deu nos terreiros. Sustentáculo dessas tradições, a oralidade é expressa também pelos sons e expressões corporais. Os gestos, as danças e os toques, são parte do processo de comunicação, no qual as pessoas conseguem manter suas histórias e memórias ancestrais pulsantes. Nos terreiros, o corpo é território: de memórias, de trajetórias e experiências.
1 Dissertação de mestrado defendida para obtenção do título de Mestre em Filosofia do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), em 2024. Orientação do prof. dr. [nome do orientador].
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