O corpo em movimento: reflexões sobre identidade, oralidade e memória em terreiros de Umbanda

Autores

  • Natália Alves Passafaro Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1590

Palavras-chave:

Manual de história oral, Oralidade, Religiões Afro-brasileiras, Candomblé, Cultura

Resumo


Este artigo nasce da pesquisa e escrita da dissertação “O nosso tempo é agora: as histórias, os saberes e as memórias nos terreiros de Umbanda de São Paulo” (2024) e das reflexões por ela instigadas em relação à tríade corpo – memória – oralidade. Nos encontros e desencontros dos saberes provocados pela diáspora africana, a memória dos conhecimentos e práticas foi transportada no corpo e na linguagem. Tais lembranças foram essenciais na reconstituição das identidades desses sujeitos e na construção da cultura nacional. Silenciadas nas narrativas oficiais, foram transmitidas em diferentes formas e espaços, e muito desse processo se deu nos terreiros. Sustentáculo dessas tradições, a oralidade é expressa também pelos sons e expressões corporais. Os gestos, as danças e os toques, são parte do processo de comunicação, no qual as pessoas conseguem manter suas histórias e memórias ancestrais pulsantes. Nos terreiros, o corpo é território: de memórias, de trajetórias e experiências.

1 Dissertação de mestrado defendida para obtenção do título de Mestre em Filosofia do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), em 2024. Orientação do prof. dr. [nome do orientador].

 

 

Biografia do Autor

Natália Alves Passafaro, Universidade de São Paulo

Mestre em Filosofia pelo Programa de  Pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), com orientação do Prof. Doutor Ricardo Santhiago. E-mail: natalia.passafaro@gmail.com.

Referências

BARROS, Mariana Leal; BAIRRÃO, José Francisco Miguel Henriques. Performances de gênero na Umbanda: a pombagira como interpretação afro-brasileira de “mulher”. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 58, n. 2, p. 140-160, 2015.

BENTO, Maria Aparecida Silva. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras.

EVARISTO, Conceição. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 26-46.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

KRENAK, Ailton. Ailton Krenak e a indispensável arte de sonhar. Entrevista concedida a Maria Júlia Lledó. Sesc SP, São Paulo, 2 fev. 2025. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/editorial/ailton-krenak-e-a-indispensavel-arte-de-sonhar/. Acesso em: 3 de março de 2025.

LOPES, Nei. Novo Dicionário Banto no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2020.

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

NASCIMENTO, Beatriz. Uma história feita por mãos negras. Organização Alex Ratts. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.

NASCIMENTO, Silvana de Souza. O corpo da antropóloga e os desafios da experiência próxima. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 62, n. 2, p. 459-484, 2019. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ra/article/view/161080. Acesso em: 27 mar. 2024.

OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

PINTO, Mãe Flávia. Umbanda preta: raízes africanas e indígenas. Rio de Janeiro: Aruanda, 2022.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

PRANDI, Reginaldo. Modernidade com feitiçaria: candomblé e umbanda no Brasil do século XX. Tempo Social, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 49-74, 1990.

RIBEIRO, Alessandra; PAULA JUNIOR, Antonio Filogenio de; SALES, Rosa Liria Pires. Ngoma chamou! Batuques em terreiros paulistas. Rio de Janeiro: Malê, 2021.

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora; Piseagrama, 2023.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nagô e a morte. Petrópolis: Vozes, 1977.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. Que memória da escravidão queremos? DW Brasil, 9 fev. 2023. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/que-mem%C3%B3ria-da-escravid%C3%A3o-queremos/a-64654182. Acesso em: 26 mar. 2023.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o "encardido", o "branco" e o "branquíssimo": raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – USP, São Paulo, SP, 2012.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor. São Paulo: Fósforo, 2023.

SIMAS, Luiz Antonio. M de macumba. Serrote, Rio de Janeiro, n. 27, p. 146-149, 2017.

SIMAS, Luiz Antonio. Umbandas: uma história do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021.

SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula, 2018.

SOARES, Cecília C. Moreira. Memória afro, identidade, territorialidade e espaços museais. Cadernos de Sociomuseologia, Lisboa, v. 53, n. 9, p. 123-134, 2017. Disponível em: https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/5890. Acesso em: 27 mar. 2024.

Fontes Orais

ALMEIDA, Thais Cristina (Mãe Ogã Thalis D'Xangô). [jul. 2023]. Entrevistadora: Natália Alves Passafaro. São Paulo, SP, 9 jul. 2023. Disponível na íntegra na dissertação que inspira esse texto.

DELGADO, David Dias (Pai David Dias). [jul. 2023]. Entrevistadora: Natália Alves Passafaro. São Paulo, SP, 20 jul. 2023. Disponível na íntegra na dissertação que inspira esse texto.

SANTOS, Tatiana Carreon Ramos (Iyalorixá Tati Boralie). [jul. 2023]. Entrevistadora: Natália Alves Passafaro. São Paulo, SP, jul. 2023. Disponível na íntegra na dissertação que inspira esse texto.

Downloads

Publicado

2025-09-17

Como Citar

Alves Passafaro, N. (2025). O corpo em movimento: reflexões sobre identidade, oralidade e memória em terreiros de Umbanda. História Oral, 28(2), 34–50. https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1590

Edição

Seção

Dossiê