Os outros rostos de “La Noche de los Lápices”: memória e testemunho dos sobreviventes de um episódio emblemático da repressão durante a última ditadura civil-militar argentina (1976-1983).

Marcos Oliveira Amorim Tolentino

Resumo


Nos primeiros anos da democracia, um episódio repressivo da mais recente ditadura civil-militar argentina (1976-1983) cobrou particular notoriedade: o episódio conhecido como “La Noche de los Lápices”. O relato então consagrado incluía no seu universo de vítimas sete desaparecidos e apenas um sobrevivente, Pablo Díaz, enquanto que outras vítimas foram silenciadas ou apresentadas como “ausentes”. A partir de 1996, começaram a surgir publicamente, agregando novos elementos, sobretudo em relação ao seu passado de militância no movimento estudantil. Ao tornar públicas suas memórias, Gustavo Calotti, Emilce Moler e Alicia Carminatti demonstraram que suas trajetórias foram dissimiles, assim como os marcos a partir dos quais recuperam sua experiência em comum de sequestro e desaparecimento. O objetivo do nosso artigo é analisar as relações que suas memórias pessoais estabelecem com a narrativa consagrada, principalmente o que significou ser um sobrevivente do episódio em questão. Por último, abordaremos o desafio de recuperar uma sobrevivente que nunca testemunhou e que consequentemente ainda não reapareceu: Patricia Miranda.

Palavras-chave


Memória; ditadura civil-militar; Argentina; testemunho; sobreviventes.

Texto completo: PDF

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA ORAL
www.historiaoral.org.br