Um Foucault desconhecido? Viagem ao Norte-Nordeste brasileiro em tempos (ainda) sombrios

Heliana de Barros Conde Rodrigues

Resumo


Michel Foucault esteve por cinco vezes no Brasil, sempre durante os anos da ditadura militar: 1965, 1973, 1974, 1975 e 1976. Essas viagens são razoavelmente conhecidas mediante conferências publicadas e notícias divulgadas na grande imprensa. A última estada de Foucault em nosso país, no entanto, tem características singulares: após seus protestos, em 1975, quando do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do DOI-Codi, o filósofo julgava que não obteria novo visto de entrada. Sendo assim, em 1976, ele contorna os “grandes centros” e visita apenas cidades do Nordeste e Norte brasileiros. O presente artigo procura reconstituir esse percurso menos conhecido de Foucault no Brasil, recorrendo, para tanto, a entrevistas sob o paradigma da história oral com alguns daqueles que com ele conviveram à época, associadas ao divulgado na imprensa alternativa. A reconstituição empreendida sugere não ser uma simples fantasia a vigilância sobre Foucault desencadeada pela ditadura militar, em parte responsável, talvez, pelo fato de o filósofo não mais haver retornado ao Brasil após 1976. Nesse aspecto, as narrativas orais ensejaram caminhos de pesquisa inicialmente não previstos, como a consulta aos documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) disponíveis no Arquivo Nacional.

Palavras-chave


Foucault, Brasil, ditadura militar, memórias

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